Neste artigo, faz-se uma reflexao teorica sobre as politicas publicas de turismo e as suas implicacoes para a implementacao do desenvolvimento sustentavel e da gestao local em areas protegidas localizadas na triplice fronteira do Brasil, da Colombia e do Peru. Trata-se de uma analise comparativa sobre os processos de insercao da participacao comunitaria na gestao local e suas repercussoes em politicas publicas de turismo. Parte-se da premissa de que as politicas publicas de turismo se encontram envoltas na centralidade do poder constituido espelhando suas acoes e decisoes. Observa-se que as modalidades novas de se realizar o deslocamento turistico, sobretudo as que estao ligadas ao uso dos recursos naturais, como o realizado em areas protegidas, baseiam-se na sustentabilidade biossociocultural como maneira de mitigar os impactos negativos do turismo. O territorio fronteirico do Brasil, Colombia e Peru demonstra ser um campo fertil para se observar, por analogia, as diferencas e similaridades das politicas publicas de turismo e a sua absorcao ou nao, pelas populacoes locais. As categorias de analise escolhidas – politicas publicas de turismo, desenvolvimento sustentavel e gestao local – permitem unificar problemas que aparentemente se escondem nas diferencas existentes, subordinadas ao aparato ideologico de cada pais. Embora permanecam muitas semelhancas historica e socialmente construidas como, por exemplo, as caracteristicas de constituicao populacional, as lutas travadas por reconhecimento de direitos ainda e realidade que pressiona o Estado e as suas instituicoes. As comunidades indigenas que habitam o interior ou entorno dessas areas protegidas buscam ser incluidas nos processos de participacao para fazer frente a lutas por direitos historicamente usurpados. Resultado disso e a criacao de um aparato legal e de instâncias de gestao com perspectivas de resistencia, mas que tambem possibilitam a abertura de fronteiras tencionadas e propensas a todo o tipo de conflito e violencias.