A simulação, na ergonomia, é marcada por uma variedade de abordagens que se diferenciam conforme os objetivos e modalidades desejados. Dois tipos principais de simulação são frequentemente empregados: a simulação em engenharia e a simulação do trabalho. Enquanto a primeira busca prever o comportamento futuro de um sistema de produção, enfocando aspectos quantitativos, a segunda se concentra no processo de trabalho e nas dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores. Na abordagem da simulação do trabalho, o objetivo é entender o processo de trabalho e suas características, visando produzir conhecimento sobre situações ainda não existentes. A simulação se torna uma ferramenta essencial durante o processo de projeto, permitindo explorar diferentes possibilidades e reduzir a incerteza. Existem três orientações principais quanto à consideração da atividade de trabalho no processo de projeto: cristalização, plasticidade e desenvolvimento. Cada uma dessas orientações influencia as abordagens de simulação adotadas. A cristalização enfoca a representação dos usuários e de sua atividade nos artefatos projetados, enquanto a plasticidade reconhece as variabilidades e imprevistos da atividade real. Já o desenvolvimento busca integrar a atividade dos operadores ao processo de projeto, promovendo um diálogo participativo entre projetistas e usuários. A análise do trabalho é essencial para fundamentar a simulação, fornecendo informações para a construção de modelos e cenários. A simulação, por sua vez, amplia a compreensão dos problemas profissionais e permite manipulá-los para encontrar soluções. Métodos como as Situações da Ação Características (SAC) e as configurações de uso são desenvolvidos para representar a atividade de trabalho de forma mais genérica e orientar o processo de concepção. Um estudo de caso de reestruturação de um Centro de Operações Integradas (COI) exemplifica como a análise do trabalho e a simulação podem ser aplicadas em projetos de Integração Operacional (IO). Esse estudo envolveu a análise do funcionamento do COI, o mapeamento do layout das novas instalações e a realização de ciclos de simulações para discutir o futuro funcionamento do espaço com os trabalhadores e gestores envolvidos. Essa abordagem participativa e baseada na compreensão da atividade de trabalho mostra como a simulação pode contribuir para o projeto de espaços de trabalho mais eficientes e ergonomicamente adequados.