Este artigo tem como propósito debater o conceito de entorno estratégico brasileiro, a partir da discussão das obras de autores da geopolítica formal brasileira ligados à Escola Superior de Guerra (ESG), quais sejam: Golbery do Couto e Silva, Therezinha de Castro e Carlos Meira Mattos. Argumenta-se que tais autores contribuíram para a delimitação de uma noção ampliada da área de interesse geopolítico brasileiro, atrelando-a ao potencial do país de se tornar uma grande potência. Desse modo, fundamentado na geopolítica crítica, o artigo propõe um conceito de entorno estratégico que leva em consideração o diálogo entre a geopolítica formal (praticada pelos referidos geopolíticos brasileiros) e a geopolítica prática (levada a cabo pelas autoridades de segurança e defesa brasileiras). Destaca-se, portanto, o fato de que a ESG atuou como ponte entre os geopolíticos formais e a geopolítica prática, o que possibilitou que o imaginário geopolítico proposto pelos referidos professores da Escola informasse até os dias atuais a geopolítica prática levada a cabo pela burocracia estatal de segurança e formalizada nos documentos de defesa brasileiros.