Pelas palavras de Arendt (1961), podemos reconhecer que o compromisso com a educação resulta, entre outros aspetos, de uma relação de amor com o mundo, porque decorre de uma efetiva responsabilização e comprometimento face a esse mesmo mundo. Talvez por esse motivo, como esclarecem Misiaszek e colaboradores (2022), o pensamento pedagógico emerge preocupado com um conjunto diversificado de domínios que não podem ser ignorados ou desconsiderados, como a diversidade cultural, as desigualdades sociais, as relações humanas no Antropoceno ou as características e efeitos da globalização em relação às distintas comunidades e aos diversos espaços e contextos ambientais. A componente curricular de Estudo do Meio, do 1.º Ciclo do Ensino Básico português, devido às suas características interdisciplinares tenderá a estabelecer-se como fundamental, numa formação comprometida com a cidadania da infância, possibilitando a articulação entre os desafios humanos, sociais e ecológicos contemporâneos. Decorrente deste posicionamento, com o presente artigo pretendemos refletir sobre o modo como o Estudo do Meio surge, ou não, como um espaço educativo de implicação social e ambiental, pelo qual a realidade contemporânea, na sua complexidade, não é ocultada, antes promotora de uma consciencialização mais abrangente e ecológica, associada às características do meio ambiente, às injustiças presentes na sociedade, à diversidade humana. De acordo com tal finalidade, o estudo avança, inicialmente, com um mapeamento das orientações curriculares nacionais para aquela componente curricular. Desta análise, conseguimos compreender que, apesar da menção a aspetos como os direitos humanos, a justiça ou os problemas ambientais e comunitários, o currículo nacional parece não privilegiar uma análise pormenorizada, desocultadora e humanizante dos desafios sociais e ambientais mais atuais. Assim, na sequência da constatação anterior, propomos um conjunto de opções curriculares, organizacionais e políticas que melhor poderão convergir para uma pedagogia assente no olhar atento e na atuação crítica, como condição necessária para a afirmação da cidadania democrática de cada uma das crianças.