A pericardite aguda é a inflamação do pericárdio, sendo a forma mais comum de doença pericárdica e responsável por aproximadamente 5% das admissões na emergência devido a dor torácica. Suas causas podem ser infecciosas e não infecciosas, sendo frequentemente idiopática. Acomete principalmente homens jovens, com a testosterona aparentemente aumentando a suscetibilidade. A maioria dos casos (80-85%) é de origem infecciosa, com a causa viral sendo a mais comum. Os 15-20% restantes estão relacionados a causas autoimunes, neoplásicas, metabólicas e devido ao uso de certos medicamentos. Em relação ao mecanismo fisiopatológico, a inflamação do pericárdio resulta na liberação de substâncias que desencadeiam o processo inflamatório, envolvendo a ação de interleucinas e citocinas, como a interleucina 1 (IL-1), a qual desempenha um papel importante. Além das causas infecciosas, a pericardite pode surgir em condições autoimunes, como o Lúpus Eritematoso Sistêmico, onde autoanticorpos depositam imunocomplexos no pericárdio, ativando a cascata inflamatória. O diagnóstico da pericardite envolve anamnese, exame físico, radiografia de tórax, ecocardiograma, eletrocardiograma (ECG), análises sanguíneas como proteína C reativa, marcadores de inflamação, troponina e hormônios da tireoide. O tratamento visa resolver a causa subjacente, quando identificada. Medidas gerais incluem a restrição ao exercício físico, uma vez que o estresse ou exercício podem agravar a inflamação pericárdica. O tratamento medicamentoso inicial combina anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e colchicina, sendo a aspirina, ibuprofeno, naproxeno e indometacina opções de AINEs utilizados. Outrossim, corticosteróides são reservados como segunda ou terceira linha de tratamento, devido a potenciais efeitos adversos e aumento das taxas de recorrência, mas podem ser úteis em doses baixas em pacientes com contraindicações aos AINEs e colchicina, como gravidez e insuficiência renal.