De acordo com a teoria da ignorância racional, os eleitores são racionalmente ignorantes (Downs, 1957), ou seja, são racionais na análise da informação disponível para a decisão de voto. Entre as várias informações que analisam estão as informações relativas às contas públicas. Mas, em que medida têm conhecimentos para as analisar? Procuram ativamente informação e maior conhecimento sobre as contas públicas para a decisão de voto? A divulgação das contas públicas é clara e suficiente? Os estudos com eleitores Portugueses são escassos, pelo que foi desenvolvido um estudo quantitativo de carácter exploratório que pretendeu analisar a autoavaliação do conhecimento e das competências dos eleitores na análise das contas públicas, a avaliação da divulgação da informação sobre contas e a opinião dos investimentos públicos vs. défice orçamental. A amostra selecionada por conveniência de 1042 cidadãos Portugueses com capacidade de voto respondeu a um inquérito em suporte online de 15 itens sob a forma de escala de Likert. As variáveis foram analisadas em função do género, ideologia política, habilitações literárias e exercício de uma atividade profissional relacionada com a área económico-financeira. As respostas foram tendencialmente negativas em todas as variáveis e foram observadas diferenças significativas entre as subamostras consideradas. Este estudo pretende contribuir para um conhecimento dos eleitores Portugueses e para a construção de um modelo de análise do processo de decisão de voto e em consequência desenvolver atitudes de cidadania.