O ato de nomear é um processo marcado pela constituição de alteridade, em que o outro constitui nosso horizonte social (MOIRAND, 2004; SIBLOT, 1998, 2007). As palavras selecionadas para nomear o outro são carregadas de posicionamentos, apreciações e/ou ideologias. Ao referirmos o nosso outro pela nomeação, dizemos mais de nós mesmos, pois há uma tomada de posição por aquele que nomeia, uma definição de si, sendo este outro uma imagem ou objeto do discurso a ser referido. Considerando como o outro, a mulher vitimizada pela violência pelo fato de ser mulher, objetivamos analisar a nomeação do corpo feminizado no contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher até a culminância do feminicídio, cujas agressões são carregadas pelo discurso de ódio. Temos por questionamento, portanto, como a mulher é nomeada no discurso de ódio pelo autor da agressão, no contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher, até a culminância do feminicídio? Nosso estudo está inserido na teoria dialógica da linguagem, com bases conceituais no dialogismo, no princípio da alteridade, no posicionamento, no ponto de vista e na apreciação dentro da concepção da nominação e do discurso do ódio, que impera no contexto violento, contra a resistência da vítima.