Assiste-se neste início do século XXI na sociedade brasileira a uma crescente movimentação em torno da emergência de identidades coletivas. Em toda a região amazônica uma diversidade de agentes sociais tem se mobilizado identitariamente em torno de reivindicações referidas a fatos do presente tal como em outras regiões do país. A promulgação da nova Constituição Federal em 1988 facultou “condições de possibilidade” para mobilizações étnicas. Neste sentido, as classificações relativas aos denominados “caboclos” sofreram transformações profundas. Os agentes sociais a elas referidos passaram a reivindicar identidades étnicas, baseados em critérios político-organizativos que perpassam desde acontecimentos históricos de ruptura e transformação social até fatores que indicam uma “invenção de tradições”, ressemantizando os “mitos de origem”. Está em curso, portanto, um processo social de profunda ruptura com as classificações oficiais. No início do século XX, continuavam a chegar tanto no rio Negro, como em outros rios do Estado, trabalhadores vindos de outras partes do Brasil para trabalhar na produção da borracha. A essa altura, o mercado estava sendo aquecido pelo desenvolvimento industrial e posteriormente, pela chamada “segunda guerra mundial”. Nesse contexto, se inserem as “famílias negras” do rio Jaú e igarapé Paunini que na primeira década do século XX chegam ao rio Jaú. O presente trabalho aborda as questões identitárias das comunidades de remanescentes de quilombo do Tambor e os conflitos socioambientais ocasionados pelas questões referentes à sua territorialidade.