Este estudo tem por objetivo analisar as práticas e representações relacionadas ao enfrentamento do desastre radioativo que ocorreu no município de Goiânia (Brasil), por meio da análise do filme documentário “Césio 137 – o brilho da morte”. A pesquisa foi estruturada sob a perspectiva do domínio da cultura visual e de estudos sobre sociologia dos desastres e gestão de risco de desastres, sendo desenvolvida através de análise fílmica e com apoio de análise conteúdo temático-categorial. Assim, o filme foi tratado em profundidade em relação aos aspectos sociológicos e conteudísticos, destacando-se elementos simbólicos que retratassem as práticas e representações de cidadãos radioacidentados. Os resultados da pesquisa foram estruturados em função das operações de descrição, de decomposição e de crítica e análise do conteúdo fílmico. Os relatos contidos no filme foram codificados, segmentados em unidades de registro e organizados em duas categorias empíricas: cultura do descuidado e vulnerabilidade a desastres radioativos. Concluiu-se que a estrutura fílmica conduz à leitura da representação do despreparo setorial e técnico para lidar com situações de desastres. Esse aspecto põe em evidência a necessidade de práticas de gestão e governança, que efetivamente articulem a sustentabilidade e segurança com os fenômenos do cuidado com a vida, em casos de riscos radioativos. Ademais, o estudo ressalta a potencialidade de filmes documentários para a análise dos fenômenos de emergências e desastres em saúde pública, especialmente de grupos mais vulneráveis a tais situações.