Crónica de una muerte anunciada (1982), do escritor colombiano Gabriel García Márquez, articula diversos recursos narrativos para explorar o tema da violência estrutural latino-americana provocada, essencialmente, por homens. Este artigo discute os aspectos culturais e sociais dessa violência masculina através dos personagens da obra mais diretamente envolvidos na morte anunciada, desde o título, e transformada em espetáculo público para a recreação dos habitantes de um povoado apático e longínquo. Para tanto, utilizamos os trabalhos de Lia Machado, Luiza Leonini e Daniel Welzer-Lang, que se aprofundam na naturalização da violência masculina motivada por uma cultura de enaltecimento da virilidade.