Há quem defenda que a sexualidade e o gênero não se configuram nos currículos escolares e que estas categorias não orientam as prioridades da escola. Essa afirmação nos revela duas situações iniciais: o desconhecimento das relações e práticas pedagógicas cotidianas das escolas e o conceito enrijecido de gênero e sexualidade. Historicamente, as práticas educativas, mesmo quando não-verbalizadas, preocuparam-se em estabelecer, por meio de seus discursos e práticas curriculares, determinados modelos de mulheres e homens. Ao considerar este cenário, neste ensaio, balizado pelas contribuições feministas e foucaultianas, interessa-nos refletir sobre a pedagogização de gênero e da sexualidade por meio dos currículos escolares. Partimos do pressuposto que a sexualidade e o gênero não são desinteressantes às instituições de ensino, mas produzidos com caráter fortemente heteronormativo.