O texto tem como objetivo apresentar a concepção de rosto no pensamento deLevinas. Inicialmente expõe breves considerações sobre o rosto em FranzRosenzweig, Max Picard e na Bíblia. Em seguida, apresenta a reflexão levinasiana.Esforça-se para mostrar que a ideia de rosto assimilada por Levinas é um componenteoriginariamente novo na reflexão filosófica ocidental. Ele pensa-o paraalém da positividade que se dispõe à descrição fenomenológica e a tematizaçãoteórica da racionalidade cognitiva. As análises de Levinas apresentam o rostoarticulado com a experiência ética. Nessa experiência, a subjetividade encontra apossibilidade de abrir-se à transcendência e instaurar uma noção de sentido quetransborda a racionalidade ontológica. O movimento de abertura ao outro fazreluzir o brilho do rosto, que propõe a oferta do mundo e das coisas como ato dedoação gratuita. A abertura para o outro, a inversão da prioridade do eu instauramum novo sentido para o humano na proximidade do outro: preocupar-se comas suas solicitações, ter-lhe como hóspede permanente e responsabilizar-se porele, até por sua responsabilidade, eis o que Levinas propõe para o humanoentendido como rosto. O rosto não é uma imagem, um órgão do corpo, nem umaexpressão do olhar, mas o sentido profundo do humano aberto para a alteridade.