A clínica psicanalítica com populações de baixa-renda constitui-se como um campo novo de trabalho e de pesquisa. A Psicanálise, pelo menos no Brasil, é, freqüentemente, acusada de ser ineficaz no tocante a este tipo de atendimento, sendo um dos seus mais instigantes desafios sua inserção na realidade brasileira, marcada por imensa apartação social. O presente trabalho tem como objetivo discutir o atendimento psicanalítico a populações de baixa renda, tomando como eixo de reflexão a indissociabilidade entre o singular do sujeito e o universal da cultura, aqui tematizada como um dos fundamentos de nosso dispositivo clínico na busca da compreensão do sujeito que sofre. Discutimos, ainda, como a psicanálise nos dá as ferramentas apropriadas, sobretudo, quando estabelecemos um diálogo com outros campos do saber.