O auto-criticismo, dentro das recentes teorias evolucionárias, tem assumido um interesse crescente no domínio da Psicologia. Vários estudos apontam o autocriticismo como um importante predictor de sofrimento, associando-se a diversas formas de psicopatologia. Por outro lado, as experiências adversas na infância, como a imposição de um estatuto de subordinado, têm-se revelado preditores de desajustamento posterior. A presente investigação pretende contribuir para o conhecimento da relação entre estes constructos e a sintomatologia depressiva, numa amostra não clínica, composta por 193 sujeitos. Os resultados deste estudo revelam que o auto-criticismo se associa positivamente com as experiências de ameaça e subordinação na infância e a sintomatologia depressiva. Estes estudos apontam, ainda, para o papel mediador de algumas dimensões do auto-criticismo no efeito das experiências precoces de subordinação sobre a depressão. Estes resultados poderão contribuir para uma intervenção terapêutica específica com vista a reduzir a auto-crítica e auto-punição, fomentando a capacidade de autotranquilização em cenários de fracasso e decepção pessoal.
Tópico:
Child and Adolescent Psychosocial and Emotional Development